Paulo Henrique…

Balões.

Esta historia, foi contada por um velho sábio palhaço de uma vila muito, mas muito, muito distante chamada Vila Cambalhota.

Esse sábio contou um dia, que esta vila era do lado de um condado chamado Vale dos apaixonados. Eram dois povos que não se davam muito bem. Os palhaços insultando os apaixonados, dizendo que eram bregas, que onde já se viu enviar rosas para sua amada, e que Margaridas de plástico que espirram água eram muito mais divertidas. E os apaixonados dizendo que um casal de pombinhos ficarem um chutando a bunda do outro não era nada romântico. Virou aquela zorra.

Chegou ao ponto desses dois povos entraram em guerra. Os apaixonados armados com suas rosas cheias de espinhos, e os palhaços com suas bexigas em forma de espada. Um trágico fim seria inevitável.

Foi quando o velho sábio palhaço chamou o oráculo do amor para uma conversa final.  Foram horas e horas, e horas, e horas, e horas de muito papo. E sabe que descobriram que esses dois povos tinham muitas semelhanças? E chegaram à conclusão que se existiam tantas semelhanças para serem conversadas e aproveitadas, para que iriam guerrear suas poucas diferenças. Foi quando a guerra acabou.

Foi quando baixaram um decreto, uma lei, uma ordem, uma regra. Que todos deveriam seguir.  Que dizia assim.

Assim como um palhaço faz suas palhaçadas todos os dias, os apaixonados amam todos os dias.

Assim como um apaixonado as valoriza seus gestos de carinho, um palhaço valoriza um lindo sorriso e olhinhos brilhando.

Assim como a amada se derrete com os elogios dos apaixonados, a platéia se encanta com o palhaço.

Foram anos de paz. Mas como nada dura pra sempre, há sempre um momento que a rotina chega. Os apaixonados que se cansaram de dedicar-se a suas amadas, os palhaços se cansaram de contar as mesmas piadas. Foi que começaram as dores de amor e os sorrisos amarelos da platéia.

Mas mesmo que isso aconteça. Mesmo que o amor já não brilha mais e o sorriso já não encanta, mesmo assim o apaixonado não perde a capacidade de amar, assim como o palhaço não perde a capacidade de fazer alguém sorrir.

Mas, e quando um palhaço se apaixona por uma apaixonada e uma apaixonada se encanta por um palhaço? Que para ela talvez as palhaçadas dele pudessem ter rosas de verdade e não de plásticos que espirram água, e para o palhaço o amor dela poderia ter um pouco mais de cambalhotas e chutes na bunda.

Virou aquela confusão. Já começaram os insultos novamente. Os apaixonados apontando o dedo no nariz vermelho dos palhaços. Os palhaços arrancando as pétalas de todas as rosas que encontrassem pela frente. Um caos generalizado.

Separaram-se novamente, disseram que cada um em seu mundo seria melhor. Definiram uma linha, um limite até onde eles poderiam ir e que não ultrapassassem aquela linha.

Não demorou muito, um palhaço sem sua platéia foi até o limite dessa linha que separavam as duas cidades e avistou uma bela apaixonada triste. Ele gritou e pediu para que ficassem bem pertinho do limite da linha que os separavam.

Eles ali pensando que fisicamente, um passo separava suas vidas, mas que não podiam ficar juntos.

Foi quando se olharam nos olhos e decidiram acabar com aquela linha pintada no chão. Ela chamou todos os apaixonados e ele chamou todos os palhaços para o limite da cidade. E gritaram para que todos pudessem ouvir.

_Se uma linha imaginaria nos separam fisicamente. Por que fisicamente não destruímos nossos rancores? Foi quando ela deu um passo e atravessou a linha imaginaria e abraçou e beijou o palhaço nos lábios.

Foi quando um palhaço atravessou a linha e abraçou um apaixonado, e outro, e outro, e outro. Rapidamente quando se percebeu, havia uma multidão sorrindo e cantando. Palhaços colocando suas perucas nas cabeças dos apaixonados e apaixonados declamando versos românticos para palhaços.

E em um cantinho no meio da multidão os dois pombinhos se beijaram. Mas não baixaram nenhum decreto para serem felizes.  Ele e ela só decidiram ficar juntos. E que quem sabe o palhaço não pode ensiná-la a dar cambalhotas, assim ele poderá aprender com ela a semear um jardim inteiro para que ela tenha rosas à vida toda?

E foi assim que o amor e a alegria se juntaram e não se separaram nunca mais.

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